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Painkiller RTX: um purgatório de 2004 sob traçado de luz em tempo real — e nem toda placa aguenta

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O mod premiado da Merry Pencil Studios reconstrói texturas e sombras do clássico peça por peça, mas divide quem instalou entre o encanto da luz nova e o peso que ela cobra da máquina.

Luz nova sobre um purgatório velho

Um homem sozinho contra o Submundo, um arsenal grotesco na mão, pelos corredores de uma catedral profanada: se você já cruzou os primeiros minutos do Painkiller original, reconhece o mapa mesmo sem abrir o mod. O que muda nesta reconstrução é a luz. A Merry Pencil Studios recalculou cada sombra e cada reflexo daquele cenário com path tracing de cena inteira — o método que traça o caminho de cada raio em vez de simulá-lo por atalhos —, refez os materiais para responder de verdade à luz que incide sobre eles, acrescentou iluminação volumétrica aos ambientes e simulou como a claridade atravessa a pele dos personagens.

O trabalho é parcial por declaração própria: a ficha do produto avisa que a reconstrução cobre por enquanto os capítulos 1, 2 e 3 do jogo original e segue em desenvolvimento. Ainda assim, a Nvidia elegeu o resultado o melhor colocado do concurso RTX Remix Mod Contest de 2025 — reconhecimento a um projeto nascido de gente que mexe no motor original do jogo, o Pain Engine, por conta própria. Painkiller RTX não é um jogo independente: é um complemento, e a própria GOG marca a página do produto com o crachá de mod e a exigência de ter o Painkiller Black Edition instalado para funcionar.

Lançado em 25 de agosto de 2026, ele é tiro em primeira pessoa e horror sem meio-termo, do jeito que a série sempre foi — só que com a mira posta nas placas de vídeo mais recentes da Nvidia.

De que jogo isto é mod

Painkiller RTX é um mod: a GOG declara que ele exige Painkiller Black Edition. A matéria do jogo base conta o que ele é.

Quem já mexeu no motor original reconhece o trabalho

Quem mexe em código de motor de jogo velho enxerga rápido a diferença entre remendo tosco e reconstrução séria. Foi esse tipo de leitor, com experiência própria alterando o Pain Engine por fora, que escreveu em 26 de agosto que o resultado impressiona mesmo incompleto — e sugeriu que quem achou o visual pouco diferente do original talvez tenha, por engano na instalação, aberto a versão sem o mod.

A opinião se repete em outras datas. Uma resenha de 28 de agosto compara o resultado ao remake completo de 2013, Hell and Damnation, e nota a diferença: ali o jogo foi refeito do zero, aqui a física e a lógica do motor original seguem intactas, e os materiais reconstruídos privilegiam a direção de arte de 2004 em vez de só deixar tudo mais brilhante. Outro jogador, numa placa 4070 em resolução 1440p com os ajustes no máximo, relatou estabilidade total: na configuração certa, você atravessa a reconstrução inteira sem notar o traçado de luz engasgar.

Nem toda experiência positiva veio sem esforço. Um jogador com placa da série 30 deu nota 4 em 28 de agosto: precisou reduzir o traçado de luz, limitar reflexos e ativar a tecnologia de melhoria de imagem por inteligência artificial da própria Nvidia para chegar a um resultado jogável, e mesmo assim notou o ritmo dos quadros escorregar por instantes. Ele recomenda — mas com a placa ajustada, não com o jogo instalado e pronto.

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Fora da última geração Nvidia, o mesmo motor emperra

O primeiro obstáculo, para alguns, não foi o purgatório dentro do jogo — foi ligar o jogo pela primeira vez. Um jogador relatou, em 26 de agosto, o teclado preso numa configuração diferente da escolhida, mesmo depois de mudar a opção dentro do jogo — nota 1, sem solução encontrada. Outro, na mesma data, viu o instalador da GOG travar sempre no mesmo ponto, tentou de novo depois de reiniciar o programa da loja e desistiu pedindo reembolso.

A crítica mais recorrente, porém, vem de quem terminou a instalação e achou pouco pelo tanto que ela pesou. Uma resenha de 25 de agosto, rodando numa placa 9070 XT da AMD, relata desempenho ruim e reclama da falta de suporte à tecnologia de melhoria de imagem própria da fabricante — a alternativa da Nvidia não ajuda quem não tem uma placa dela. Uma segunda, de 26 de agosto, compara o resultado ao remake de 2013, Hell and Damnation, e o considera mais nítido do que esta reconstrução; para esse jogador, a instalação cresceu bem além do que o clássico original ocupava, a mesma tecnologia de melhoria de imagem por inteligência artificial deixou a tela borrada, e gerar quadros extras por software não resolveu a lentidão de base. A luz que devolve profundidade às catedrais do jogo também devolve o desafio para quem não tem a placa certa: nenhuma das quatro queixas nega o que o mod tenta fazer, todas nascem de quem tentou rodá-lo fora da combinação de placa e paciência que o projeto pede.

Para quem já tem a base e a placa certa

Painkiller RTX é complemento, não jogo independente: só faz sentido para quem já tem o Painkiller Black Edition instalado e quer revisitar aqueles corredores com a luz recalculada em tempo real. Para esse público, com uma placa Nvidia das gerações mais recentes, o trabalho premiado da Merry Pencil Studios entrega a versão mais cinematográfica que o jogo já teve — e quem gosta do estilo ainda tem o remake de 2013 como outra porta de entrada para a mesma história.

Fora dessa combinação, a conta não fecha. Quem joga numa placa AMD esbarra na falta de suporte que várias resenhas relatam; quem tem uma placa Nvidia mais antiga precisa negociar ajustes finos — reduzir o traçado de luz, apostar na tecnologia de melhoria de imagem por inteligência artificial — só para manter o jogo estável; e quem espera a reconstrução inteira encontra, por ora, três capítulos prontos e o resto do caminho em aberto.