Me avisem

Um círculo guiado só pelo cursor, e um narrador que pergunta o que é perseguir um sonho

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Lançado por um estúdio que também assina a própria distribuição, o jogo segue rotulado como acesso antecipado — e o mesmo controle que os fãs elogiam é o que afasta quem tentou e não se acostumou.

Um círculo, um cursor e ninguém mais para ajudar

Você desliza o cursor pela tela e o círculo o segue, com um atraso que parece quase animal — não há tecla, não há botão, só esse gesto solto da mão. A tarefa é achar um propósito e cumprir; a ferramenta é esquivar de obstáculos que ficam mais difíceis a cada trecho e engolir círculos menores, que tanto ajudam a cumprir esse propósito quanto embaralham as próprias regras do jogo, de um jeito estranho e divertido.

Enquanto isso, uma voz observa. O narrador é curioso e filosófico: reage ao que você escolhe, reflete sobre a própria vida e pergunta em voz alta o que significa perseguir um sonho — o mesmo que o círculo está fazendo. O cenário é um fractal que muda enquanto a partida avança, e a trilha sonora nasce das suas próprias ações: cada movimento contribui para a música.

O jogo saiu em fevereiro de 2024, pelas mãos do estúdio Solideo, que também assina a própria distribuição — e segue rotulado como acesso antecipado. Uma partida cabe em meia hora; ver tudo o que o círculo pode virar leva três horas, ou mais, dependendo da sua habilidade e de quanta curiosidade sobra para insistir.

Descobrir a regra jogando é o que fica

Quem escreveu em julho de 2024 fechou o jogo em menos de duas horas e resume a experiência assim: gráficos simples, mas bonitos, e a graça de ir descobrindo como o jogo funciona para só depois escolher como jogar. Um jogador que chegou meses depois, em março de 2025, começa perdido — não sabia que precisava levar o cursor a um dos círculos verdes que se mexem na tela inicial e clicar neles para começar, e chegou a pensar que tinha recebido um jogo diferente do das fotos. É a mesma sensação que você teria: a tela pede uma ação e não diz qual.

Depois de destravar esse começo, esse mesmo jogador descreve o que sustenta o resto: cada ação carrega uma consequência, boa ou ruim, e só se aprende testando. Ele nota ainda que os efeitos visuais, perto do fim, chegam a ofuscar a tela — um aviso, não uma reclamação. Quem voltou a jogar em julho de 2025 vai num sentido parecido: sente que, ao tentar entender o círculo, é observado de volta, como se o jogo devolvesse o olhar.

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O mesmo controle que embala também trava

Nem todo mundo faz as pazes com esse controle. Quem escreveu em julho de 2024, poucos dias depois do relato mais elogioso, chama o conceito de interessante e o controle de horrível: o círculo carrega tanta inércia que, para desacelerar, é preciso virar o cursor com força para o lado oposto. Se você já tentou frear puxando o volante para o lado errado, sabe a sensação que esse jogador descreve. Dá para ajustar a sensibilidade na hora, pela roda de rolagem, mas a frustração continua, e o jogo fica mais difícil do que devia por causa disso. Falta ainda suporte a controle: mesmo com alguns botões do aparelho já reagindo a comandos, o suporte parece ter ficado pela metade.

Para quem descobre jogando, não para quem quer o controle pronto

Quem gosta de jogo que não entrega o manual — que prefere testar e deixar a consequência ensinar — encontra aqui companhia certa: meia hora mostra o esqueleto, três horas mostram tudo o que o círculo pode virar. Se você depende de um controle físico, ou de um comando que responda sem inércia, o entrave chega cedo: o jogo só entende o gesto do cursor, e quem não se acostuma com esse peso desiste cedo, sem ouvir o narrador terminar de perguntar o que significa perseguir um sonho.