The Ouroboros King transforma cada derrota em um novo tabuleiro
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Entre elogios ao exército de peças e queixas sobre uma interface que não explica nada, o jogo de Oriol Cosp Games divide até quem recomenda.
Um xadrez que troca de regras sempre que você perde
Tem quem recomende The Ouroboros King e, na mesma frase, avise para não esperar demais: nota cinco de dez, e o maior elogio é ter valido a curiosidade de uma jogada. É a porta de entrada certa para esse xadrez de guerra — ele promete mais do que um tabuleiro comum, e é ali que a opinião se divide.
O jogo reaproveita as peças clássicas do xadrez e cria outras, cada uma com uma função nova, e deixa quem joga somar relíquias e itens que dão vantagens por tempo limitado, formando um exército só seu. Só é possível mover uma peça por rodada: você decide sabendo que não dá para voltar atrás na mesma hora. Perder não fecha a partida: devolve você para outra linha do tempo, com mapa, inimigos e recompensas diferentes da tentativa anterior — e para quem quer mais osso para roer, há opções de dificuldade que chegam a níveis insanos.
É possível jogar sozinho ou desafiar outra pessoa na mesma tela, sem conteúdo trancado atrás de progresso: tudo já está liberado desde a primeira partida, e quem ganha ou perde depende da habilidade de quem joga. As ilustrações são de Isaac Murgadella, e cada partida dura entre quinze e quarenta e cinco minutos — o suficiente para caber numa pausa curta ou virar uma sessão mais longa. Quem assina esse tabuleiro é a Oriol Cosp Games, que lançou o jogo em 27 de fevereiro de 2023.
Enquanto isso, o estúdio já testava outro tabuleiro
A Oriol Cosp Games não largou o jogo depois do lançamento. Abriu uma fase de testes para modificações, feita com a ajuda de um colaborador, e deixou documentação pública para quem quisesse criar peças novas a partir de um modelo pronto. Meses antes, tinha adaptado o jogo para caber na tela pequena do Steam Deck, com ajuste de resolução e suporte completo a controle.
O mesmo comunicado que anunciava os testes de modificação também lembrava outro projeto: um segundo jogo de estratégia, batizado Gods vs Horrors, que o próprio estúdio descrevia como o trabalho em andamento naquele momento. Esse segundo jogo ganhou demonstração pública e, mais tarde, chegou às lojas na mesma data em que o estúdio voltou a falar de Ouroboros King em um comunicado. A Oriol Cosp Games, então, tocava dois tabuleiros ao mesmo tempo.
Quem recomenda avisa: não é para sempre
Na Steam, loja de onde vêm essas avaliações, quem chegou a treze horas de jogo recomenda o jogo mesmo assim. A nota que deixa é cinco de dez — mais perto de um aviso sincero do que de um elogio quente, como quem confessa acreditar mais numa curiosidade que vale uma jogada única do que numa aventura para voltar sempre. Essa reação não é isolada. Outra pessoa, com seis horas registradas, elogia as variações que o jogo cria em cima das regras do xadrez e chama a dinâmica das rodadas de viciante.
O elogio, porém, vem com puxão de orelha. A mesma pessoa descreve a interface como uma das piores que já viu em qualquer jogo: ícones sem explicação, botões em lugares que não fazem sentido, peças que prometem uma melhoria sem dizer qual. É a cena de você abrir uma peça nova, ler que ela evolui para algo melhor, e não descobrir para quê. Quem gosta do tabuleiro reclama da moldura em volta dele.
Uma peça descontrolada, uma conquista que pune
Do lado de quem não recomenda, a queixa muda de alvo, mas repete o padrão: o problema não é o tabuleiro, é o que sobra em volta dele. Quem jogou três horas culpa o oponente controlado pela máquina, que na visão dessa pessoa encontra formas de virar a partida por fora do que as regras deveriam permitir. Não é a dificuldade que incomoda — é a sensação de que você perdeu por fora das regras, não por dentro delas.
Quem chegou a vinte e três horas mira dois alvos específicos: uma conquista que descreve como quase um castigo, difícil de cumprir porque uma explosão inimiga atravessa o escudo que deveria proteger contra ela, e uma peça — o mosqueteiro — que considera fora de controle por ficar protegida assim que elimina um inimigo. Na mesma lista entra o príncipe, chamado de peça desequilibrada demais para o resto do exército acompanhar.
Para quem passou seis horas com o jogo e não voltou, o veredito é mais seco: o conceito interessa, mas a execução ainda parece inacabada para o que pede em troca.
Vale abrir a partida; ficar é outra decisão
Ouroboros King serve para quem gosta de fechar uma partida rápida, perder, e já querer tentar uma nova combinação de peças e relíquias — sozinho ou ao lado de alguém na mesma tela, sem trava de progresso bloqueando o começo. É para quem lê uma nota baixa, dada por gente que ainda assim recomenda, como um convite: a curiosidade de uma jogada compensa, mesmo sem prometer companhia para sempre.
Não serve para quem não tolera abrir um menu sem entender o que cada botão faz, ou se irrita quando uma peça sozinha decide o resultado da partida por desequilíbrio, não por estratégia. Essa reclamação apareceu tanto de quem jogou poucas horas quanto de quem chegou a vinte e três — sinal de um problema que não se resolve só com mais tempo de jogo.