Me avisem

River City Girls 2: o inimigo nocauteado vira empregado

EPIC
ACABOU EM 28 DE SETEMBRO

Não está mais sendo dado · voltou a custar US$ 39,99

Ver na loja ↗

Esta página fica de registro do que já foi dado.

A disponibilidade pode variar conforme a região.

Uma briga de rua em dupla que emociona quem já jogou de controle dividido — e trava bem na hora do golpe.

Nocauteie o rival, contrate-o depois

Um velho inimigo volta com sede de vingança, e Misako, Kyoko, Kunio e Riki tomam as ruas de River City outra vez — dessa vez ao lado de duas estreantes, Marian e Provie. A sequência amplia o elenco para seis lutadores jogáveis, cada um com o próprio jeito de bater, numa cidade que cresceu junto: mais bairros para explorar, mais objetos para destruir e um ciclo de dia e noite que muda o cenário sem avisar.

O combate ganhou camadas que a primeira aventura não tinha — quebras de guarda, sequências de golpes no ar, ataques com efeitos elementais — e subir de nível libera novos movimentos, além da chance de gastar o que sobrou da briga em acessórios espalhados por mais de 40 lojas. A ideia mais estranha do pacote é outra: você nocauteia um rival numa esquina qualquer e, fases depois, pode estar lutando ao lado dele — o jogo deixa recrutar inimigos derrotados e ainda contratar brutamontes mercenários para engrossar o time. É a cidade virando currículo.

Lançado em dezembro de 2022 pela WayForward, o mesmo estúdio do primeiro jogo, a sequência mantém Megan McDuffee na trilha sonora, dublagem própria para cada personagem e uma jogabilidade que não obriga a seguir uma ordem fixa de fases. O modo cooperativo, local ou pela internet, é onde essas peças se encaixam.

Depois da estreia, chegaram os irmãos Lee

O mural do estúdio não é só aviso de desconto: registra também o que o jogo ganhou depois de pronto. Um pacote extra, pago, trouxe os irmãos Lee — Billy e Jimmy, de Double Dragon — como lutadores jogáveis, cada um com o próprio golpe de assinatura e dublados pelas vozes que os fãs do canal Game Grumps reconhecem, Dan Avidan e Arin Hanson. Fizeram uma música só para a ocasião com a compositora da série, Megan McDuffee, e o pacote ainda trouxe um novo mestre de dojô, Boro. Ao lado da novidade paga, veio junto uma atualização sem custo extra para quem já tinha o jogo instalado.

A trilha sonora, aliás, não passou batido fora do jogo: a mesma McDuffee, com Dale North e a participação de Mega Ran, concorreu a Melhor Trilha Sonora nos prêmios da própria Steam em 2023 — o tipo de reconhecimento que confirma o que as resenhas repetem sozinhas.

De volta ao sofá, com o segundo controle

Na Steam, onde o jogo é vendido e de onde vêm as avaliações usadas aqui, o elogio mais repetido é sonoro. Quem chegou às 61 horas de jogo considera o conjunto imperfeito, mas afirma ter prazer em revisitar cada canto do mapa; quem levou 40 horas para fechar a campanha resume que o combate e a trilha continuam tão bons quanto no primeiro jogo. Um jogador turco fechou a campanha em 18 horas sem folga no meio do caminho, e credita a direção de arte e a música por isso.

Uma resenha brasileira de 49 horas, publicada em 4 de julho, é ainda mais pessoal: fala em voltar a ter dez anos jogando com um amigo do lado, o mesmo choro de alegria de quem revê a série depois de terminar tudo de novo com personagens que não existiam antes. Outro jogador, com 8 horas registradas, resume o clima como uma sucessão de referências à era dourada dos videogames antigos. Mas há sempre um porém: uma resenha de 29 horas — que chama o jogo de novo favorito do gênero, sozinho ou em grupo — admite ter alcançado o nível máximo do personagem ainda na primeira metade da aventura, sinal de que o personagem cresce mais rápido do que a história consegue acompanhar.

1.734 gostaramVery Positive296 não

A porrada trava bem na hora de bater

Do outro lado das mesmas avaliações da Steam, a queixa mais comum não é sobre a porrada, é sobre o que sustenta a porrada. Uma resenha com 51 horas registradas relata a fluidez presa num teto baixo a maior parte do tempo. Você quebra uma caixa ou um poste, o cenário reage, e por um instante a imagem destrava — depois volta a travar assim que a poeira baixa. Outra, de 3 horas, chama o modo para vários jogadores de duro na movimentação, cansativo no jeito como os inimigos não param de surgir, e nota a mesma queda de fluidez mesmo num computador que roda sem esforço jogos bem mais pesados.

Quem foi mais longe encontrou problemas mais sérios. Uma resenha de 31 horas, com o jogo inteiro concluído, descreve a versão vendida como quebrada e diz que só funciona direito depois de trocar para uma versão alternativa em teste disponibilizada pela própria Steam — recurso que quem tem a edição física para PlayStation 5 não tem. E quando o pacote extra com os irmãos Lee chegou para computador, uma resenha reescrita mais de uma vez ao longo de mais de um ano registra outro tipo de problema: a demora e o jeito capenga como a equipe avisou sobre o atraso, embora reconheça que, com o tempo e uma atualização que somou suporte para mais gente jogando pela internet ao mesmo tempo, o jogo tenha ficado sólido.

Duas queixas mais pontuais miram o comando. Numa resenha de 3 horas, bloqueio e contra-ataque chegam atrasados, mais parecidos com um aviso do que com uma resposta ao golpe do inimigo. Em outra, de 2 horas, teclas de habilidade se sobrepõem quando vários golpes dividem a mesma combinação — o mesmo problema do primeiro jogo, que a sequência não corrigiu. Uma resenha coreana de 6 horas soma um minimapa que aponta caminho errado, chefes de padrão repetitivo, poucos pontos de retorno rápido pela cidade e falas mal traduzidas — e ainda assim recomenda, pelo gosto do fliperama antigo e da briga lateral que o jogo resgata.

Para quem tem parceiro — não para quem quer polimento

O jogo entrega o que promete melhor quando alguém senta do lado com o segundo controle: é ali que os golpes elementais, as sequências de ataque no ar e até o time de brutamontes contratados fazem sentido como cena, não como planilha de atributos. Sozinho, o mesmo jogo perde a piada — vira um corredor de inimigos que reaparecem rápido demais para uma pessoa só administrar.

E quem espera abrir e jogar sem tropeço esbarra num obstáculo logo nas primeiras horas: a fluidez que falha, o bloqueio que atrasa, a tecla que não responde do jeito certo. Quem veio pela lembrança de jogar em dupla, ou pela ideia de recrutar quem acabou de nocautear, tem motivo de sobra para atravessar o tropeço inicial. Quem procura uma porrada de rua sem folga técnica vai preferir esperar mais uma rodada de correções.