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Quake II RTX: três fases do clássico à luz do traçado de raios

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O que a GOG distribui é menor que a lembrança do jogo original: falta o resto da campanha e falta o multijogador, trancados numa versão paga à parte chamada Quad Damage.

Uma vitrine técnica, não a campanha inteira

Você acaba de pousar numa superfície alienígena e descobre que dos seus companheiros só restam poucos. Pela frente, instalações militares fortemente guardadas escondem o comando que ainda sustenta as defesas da cidade inimiga — derrubá-lo é a única forma de saber se sobra alguma chance para a humanidade.

A cena não é herança direta do estúdio que fez o jogo original: veio de fora. Lightspeed Studios assina esta versão, distribuída pela NVIDIA, sobre o trabalho que Christoph Schied e a equipe do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe fizeram ao acrescentar traçado de raios ao Quake II — o projeto batizado Q2VKPT, construído em cima da base de código Q2PRO. A NVIDIA foi além: acrescentou a variante mais completa da técnica, refez texturas e ajustou dezenas de outros detalhes.

O que esta versão inclui, porém, é só uma fatia: os mesmos três primeiros níveis que a distribuição shareware original trazia. Para atravessar o resto da campanha ou entrar no multijogador com outra pessoa, é preciso comprar à parte a versão Quake II: Quad Damage. A própria ficha da loja classifica o conjunto em três gêneros — tiro, primeira pessoa e horror — e data a chegada desta forma em 19 de agosto de 2021.

O elogio é de engenheiro, não de nostalgia

O elogio que mais aparece não fala do enredo: fala de placa de vídeo. Quem escreveu em setembro de 2021 avisa que nem é entusiasta do Quake II original, mas confirma que esta versão roda também em placas AMD, usando o traçado de raios da Vulkan — e nota que a ficha, focada em hardware NVIDIA, não menciona isso. Anos depois, em janeiro de 2024, outro relato pede a mesma coisa que a loja segue sem responder: uma versão para Linux, já que rodar o jogo por fora, com uma camada de compatibilidade, já funciona bem. É o tipo de detalhe que você só descobre tentando instalar numa placa que a ficha nunca previu.

Quando o assunto é a imagem, quem escreveu em agosto de 2021 ensina a equilibrar a escala de resolução dinâmica junto do DLSS até manter desempenho estável em placas consideradas fracas para o tipo de traçado de raios mais completo que o jogo usa — aquele que segue o caminho da luz até a origem, não só aproxima reflexos. Um relato mais curto, em alemão, resume o apelo de outro jeito: partida rápida, ação sem complicação, ideal para preencher um intervalo. Mas quem elogiou a fusão entre a modelagem antiga e a luz e sombra de hoje, em novembro daquele ano, também é quem avisa que o jogo trava ao salvar ou carregar — o preço que se paga pela vitrine.

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A queixa mais votada não é sobre o jogo, é sobre o pacote

A crítica que mais gente marcou como útil, publicada em agosto de 2022, não ataca o traçado de raios: ataca a manutenção. Quem escreveu reclama que a GOG distribui um instalador desatualizado, sem os ajustes que já circulavam havia tempo em outros lugares, e sem versão para Linux — essa, segundo o texto, só aparece fora da loja. A pergunta que a pessoa deixa no ar é direta: por que distribuir algo que ninguém mais volta para atualizar?

Outra reclamação, publicada em dezembro de 2025, mira a própria ficha da loja: o nome do jogo, o link que leva à versão paga Quad Damage e a falta de aviso claro de que a versão inclui só os primeiros níveis deixam quem já tem o Quake II original sem entender a diferença entre as duas fichas. Se você já tem o jogo original, é fácil abrir a página errada sem perceber — só descobre depois de já ter clicado.

Uma avaliação em português, de março de 2024, dá nota baixa por um motivo oposto ao dos elogios: para essa pessoa, o traçado de raios não soma nada a um jogo antigo — a iluminação destoa do resto do visual e consome desempenho que a versão original nunca precisou. A mesma resenha repete a queixa da ausência de Linux. São reclamações de quem entende do assunto: ninguém detalha camada de compatibilidade ou número de versão sem antes ter tentado fazer o jogo rodar direito.

GPU nova sim, campanha inteira não

Quem tem uma placa capaz de traçado de raios e quer ver o que a técnica faz com o material original sai satisfeito com pouco: são só três fases, mas a demonstração convence antes de aparecer o primeiro inimigo. É o tipo de coisa que você percebe antes mesmo de abrir a primeira porta.

Quem procura a campanha completa, o multijogador ou uma versão para Linux esbarra num muro que esta versão não derruba: para atravessá-lo é preciso comprar Quad Damage à parte, e quem usa Linux não encontra alternativa nenhuma. Quem valoriza a estética original mais do que a luz nova — a queixa em português é exatamente essa, iluminação que não combina com o resto e consome desempenho à toa — faz bem em nem instalar: aqui o traçado de raios não é ajuste opcional, é o motivo de o pacote existir.