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Onikakushi: a comédia escolar que Higurashi usa para armar o terror

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O mesmo trecho bobo e risonho do primeiro capítulo sustenta quem chega ao fim e afasta quem desiste antes dele.

Um vilarejo de menos de duas mil pessoas, uma morte por ano

Todo ano, em algum dia de junho, alguém morre em Hinamizawa — e alguém mais desaparece. É o único evento fixo de um vilarejo de menos de duas mil pessoas no interior do Japão, no verão do 58º ano da era Shouwa, e a sinopse da loja liga a sequência de mortes a uma briga antiga sobre a construção de uma represa. Conspiração, coincidência ou maldição — a resposta fica em aberto, e é essa pergunta, não a ficha técnica, que puxa você para dentro da história.

O capítulo que a GOG está distribuindo é o primeiro de oito, segundo quem já leu a série inteira — mas funciona sozinho, sem depender das partes seguintes para fechar a própria história. A leitura não tem escolha nem fases extras: é texto, retrato dos personagens, cenário e trilha, do início ao fim. Esta edição tem roteiro e personagens do estúdio 07th Expansion e chega pela MangaGamer, que — segundo quem comparou as duas versões — retraduziu o texto e refez os retratos, com a opção de alternar entre a arte original e a nova, mantendo a trilha original sem cortes e a escolha entre inglês e japonês.

A virada chega para quem aguenta até o quarto capítulo

Quem escreveu na semana do relançamento, em maio de 2018, não hesitou: chamou o jogo de um dos melhores romances visuais já feitos. Uma avaliação de junho do mesmo ano vai além e recomenda o texto inteiro — perto de oitenta horas de leitura, no cálculo de quem escreveu — ao lado de 999, Ghost Trick e Drakengard, o topo do que essa pessoa já leu ou jogou. Se você nunca ouviu falar da série, a recomendação de quem já leu tudo é entrar sem pesquisar mais nada.

A avaliação mais cética do grupo, de julho de 2018, dá quatro de cinco e admite que a resposta para o mistério é só talvez — mesmo assim recomenda, porque a primeira metade tem coração, ainda que repita clichês vistos demais em anime e mangá. O padrão se repete até nas resenhas mais recentes de quem gostou: uma de 2020 chama os primeiros capítulos de arrastados e só muda de ideia depois do quarto ou quinto, quando a história vira algo que dói, enlouquece e comove ao mesmo tempo. Outra, de 2021, aposta num atalho — instalar antes uma modificação feita por fãs que redesenha a resolução, troca a arte e acrescenta vozes — e avisa que, mesmo assim, você fecha o capítulo sem a conclusão da história.

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O mesmo riso bobo, visto três vezes em 2025

As avaliações negativas do dossiê são recentes e concordam pouco entre si. Quem escreveu em março de 2025 se incomodou com o tom: risadinha e rubor demais, emoção forte que soa fora de lugar bem no meio da história — se você espera arrepio já na primeira cena, é nisso que esbarra. A resenha de setembro do mesmo ano é mais seca: chama a trama de arrastada e pouco original, e só salva a arte, chamada de razoável. Já quem escreveu em agosto de 2025 não fala do enredo — aponta um erro da própria loja, a etiqueta de conteúdo sexual que a ficha carregava e que, segundo essa pessoa, não corresponde a nada dentro do jogo.

É a mesma fase risonha e corada que as resenhas mais antigas chamam de preparo necessário — só que lida sem a paciência de quem topou esperar o quarto capítulo. A mesma cena que uns chamam de investimento, outros chamam de enrolação; o corte entre os dois grupos não é o gosto pelo gênero, é quanto tempo cada um deu ao jogo antes de julgar.

Para quem não pede pressa nem escolha

Onikakushi cobra paciência antes de qualquer coisa, e quem quer decidir sozinho se o que assombra Hinamizawa é maldição, conspiração ou coincidência tem de atravessar a introdução inteira sem atalho: não há escolha para pular a rotina escolar risonha, e as próprias resenhas de quem gostou marcam a virada lá pelo quarto ou quinto capítulo. Se você precisa de algum tipo de interação além de avançar o texto, ou quer terror já na primeira cena, o jogo não é para você — é leitura do início ao fim, sem escolha e sem fases extras. E se você chegou atrás da etiqueta de conteúdo adulto que a loja colocou, procure em outro lugar: quem jogou avisa que ela não corresponde a nada dentro do capítulo, e quem leu ainda nos primeiros anos avisa também que nem todos os oito capítulos da série tinham tradução disponível — então talvez você feche esta história sem o fim dela.