Buried Stars: o corpo que sobra quando o prédio da transmissão desaba
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O jogo vende a troca de mensagens entre os sobreviventes presos como pista de investigação — e é ali que parte de quem jogou trava.
Um cadáver debaixo do prédio que caiu no ar
Uma audição de sobrevivência está em transmissão ao vivo quando o prédio do estúdio desaba. Os concorrentes que sobram presos nos escombros descobrem, além do desastre, um assassinato: alguém ali dentro matou um dos seus, e ninguém sabe quem nem por quê.
Você não investiga andando por corredores em 3D: acompanha a reação do público lá fora e a linha do tempo de cada sobrevivente numa rede social interna ao jogo, juntando pista por pista nas mensagens que aparecem na tela. Cenários em 3D recebem personagens desenhados em 2D por cima, e cada escolha de diálogo que você faz abre uma rota diferente da história, com final próprio — rejogar não repete a mesma cena com uma frase trocada, abre um trecho que a primeira partida nunca mostra. A dublagem foi gravada em coreano e em japonês, com elenco das duas línguas.
Quem assina o roteiro é a Studio LARGO, equipe por trás de Panic Room e City of Mist, em parceria com a LINE Games — que também distribui o jogo. Buried Stars saiu em 29 de novembro de 2021.
A dupla que sustenta a trama, e o custo de rejogar
Na Steam — loja onde o jogo é vendido e de onde vem a maior parte das avaliações usadas aqui — quem termina a investigação costuma sair recomendando, e a minoria que não recomenda é pequena, mas nada tímida nas críticas. O relato mais longo entre as resenhas usadas nesta matéria, de 46 horas, guarda carinho especial pelo que vem depois dos créditos: um programa de apoio psicológico para os sobreviventes, tocado por um dos próprios personagens, que fecha a história num tom mais gentil do que o resto do jogo sugere. Se você gosta de fechar um jogo sentindo que alguém se importou com o que aconteceu aos personagens até o fim, é esse o tipo de detalhe que fica.
Quem fechou o jogo em 25 horas elogia a dupla no centro da trama por fugir dos clichês do gênero e fechar o arco com coerência. A resenha, de 25 de setembro de 2026, recomenda ainda jogar de novo pelas rotas alternativas: cada uma revela um pedaço que a primeira partida escondeu.
Quase ninguém erra o assassino. Um registro de 17 horas conta ter suspeitado do culpado quase de cara, só pela fisionomia dos retratos, e mesmo assim seguiu jogando pelo prazer de ver como a história chega lá. Essa resenha é de 30 de agosto de 2026, e o mesmo jogador reconhece ter pulado boa parte dos textos de apoio para não travar no meio das conversas. Não foi o único incomodado com o salvamento: liberado só em certos pontos do diálogo, ele transforma qualquer escolha errada em recomeçar um trecho inteiro, reclamação que se repete de resenha para resenha.
A mesma conversa que afasta quem desiste cedo
A conversa que sustenta a investigação é também o que faz parte do público largar o jogo. Um jogador saiu com 11 horas chamando o ritmo de arrastado: a trama para de andar para encaixar bate-papos que não levam a lugar nenhum, e os personagens só sustentam a história porque agem contra a própria lógica. Para esse jogador, o primeiro final fica fechado sem chance real de mudar o resultado pelas escolhas — e quando o jogo libera uma segunda volta, em vez de reescrever o destino, repete a mesma saída, o que esvazia a reviravolta que deveria fechar a primeira partida. Se você já terminou um jogo com um final amargo só para descobrir, na segunda vez, que as escolhas não mudavam nada mesmo, essa é a frustração que esse jogador descreve.
Outro relato, também de 11 horas, descreve conversas com vários sobreviventes, cada um com uma lista comprida de assuntos, sem pista clara de qual puxa a investigação adiante — na prática, tentativa e erro sobre um placar de confiança e sanidade que sobe ou desce sem aviso. A sugestão desse jogador é direta: vale a pena só para quem quer ler sobre fofoca de celebridade por horas a fio, no lugar de um mistério de verdade.
Nem toda queixa é sobre ritmo. Um jogador de 10 horas entrou atrás da dublagem de um ator específico e saiu reclamando que a parte de dedução é quase inexistente — sinal de que, para quem veio pela voz ou pela trama de relacionamento, o jogo entrega; para quem veio resolver um crime, entrega pouco.
Para quem fica, e para quem desiste na primeira rodada
Quem gosta de ver personagem se revelando aos poucos, e não se incomoda de voltar à mesma pergunta por ângulos diferentes, sai satisfeito — e ainda tem rota alternativa de sobra para voltar depois. Se você quer resolver um crime com lógica e prova direta, desiste no meio da primeira rodada de conversas, assim que perceber que o próximo passo certo é tentativa, não dedução.
A diferença entre quem larga cedo e quem atravessa o jogo inteiro não é paciência: é o que cada um espera encontrar quando a notícia de um corpo interrompe a transmissão ao vivo de uma audição de sobrevivência.