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Gravity Circuit: o último soldado de uma guerra que devia ter acabado

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O mesmo gancho que arremessa Kai pelas fases é o ponto em que parte de quem testou o jogo parou de jogar.

Um soldado esquecido contra o exército que ele já tinha vencido

Décadas depois de vencer o Exército Vírus, Kai é chamado de volta à ativa. O antigo inimigo ressurge das sombras com um único plano: a dominação mundial dos robôs sencientes que restaram. Os Esquadrões Guardiões, sem mais ninguém para escalar, recorrem ao único combatente daquela guerra ainda de pé — e Kai aceita, equipado com os poderes que dão nome ao jogo, o Gravity Circuit.

A campanha solo tem 12 fases, e cada uma testa uma combinação própria de combate e deslocamento contra seu elenco de inimigos e chefes. Kai briga de perto: carrega energia nos punhos, arremessa quem estiver na frente e usa o mesmo gancho que o lança pelo cenário para alcançar espinhos e abismos. As fases escondem civis para resgatar — cada resgate libera um poder novo — e segredos para quem sair da rota principal.

Kai não vai brigar sozinho na sequência

O estúdio Domesticated Ant Games já confirmou a continuação: Gravity Circuit 2 chega ao PC em 2027 e mantém Kai ao lado de um herói inédito, Cable. No terceiro aniversário do primeiro jogo, apresentou mais um nome da sequência, Jet, com uma prévia da trilha sonora da fase aquática dele.

A dívida com Mega Man, paga com juros

A comparação mais repetida entre quem gostou é sempre a mesma: Mega Man X, Mega Man Zero. Não como cópia — como herança bem aplicada. Quem passou 13 horas com o jogo chama a inspiração de óbvia e diz que o estúdio fez muito bem feito com ela: chefes marcantes, dificuldade que irrita às vezes mas termina satisfazendo. Outro jogador, com 7 horas registradas em 18 de setembro, destaca a variedade de animações para poderes, personagens e inimigos, e elege um coadjuvante, Kernel, como favorito — a ponto de ter baixado a trilha sonora para ouvir fora do jogo.

O elogio ao movimento também se repete. Uma resenha de 14 horas descreve a mistura entre o gancho e a captura de inimigos como um jeito inteligente de dar ritmo às fases, e conta ter explorado cada cenário atrás de segredos, resgates e poderes só pelo prazer de achar tudo. Já quem chegou a 49 horas — a maior marca entre os elogios — chama a jogabilidade de fluida e suave, e no meio do elogio cobra uma coisa que o jogo ainda não tem: legendas em português do Brasil. A mesma peça aparece onde não deveria: no relato de quem joga uma hora só e já se irrita com o gancho que deveria ajudar a atravessar abismos e espinhos — e insiste em mirar para frente quando o jogador pede a diagonal.

5.785 gostaramVery Positive550 não

O gancho que não aponta para onde o jogador manda

A queixa mais repetida do outro lado tem nome: o gancho. Um jogador com menos de uma hora de jogo crava a nota mais baixa do lote e resume o controle da corda como quebrado. Outro, também com 1 hora, trava logo na primeira fase: não encontra o salto na parede que a passagem pede, procura instrução em algum lugar do jogo e não acha. Um terceiro, esse com 6 horas — mais tempo que a maioria de quem reclama —, vai além do gancho e aponta uma ironia: o jogo se chama Gravity Circuit e em nenhum momento deixa o jogador manipular gravidade de verdade. Um nome que promete um poder que o jogo não entrega.

É a mesma peça que a resenha elogiosa de uma hora já tinha citado, mesmo recomendando o jogo: para quem critica, o gancho não é só desconfortável, ele falha sozinho, empurra o jogador para dentro de buracos e cobra uma fatia grande de energia por um erro que não foi do jogador. O salto duplo ajuda a contornar o problema, segundo quem chegou a essa conclusão jogando — mas só depois de já ter perdido a paciência com a corda.

Quem aguenta o primeiro tropeço, e quem não aguenta

A divisão entre as duas pilhas de resenha não é sobre gostar ou não do jogo — é sobre o quanto cada um tolera o gancho e decide se vale seguir. Quem aguenta esse primeiro atrito chega às fases que rendem elogio parelho: chefes marcantes, segredos, uma trilha sonora que gente levou para fora do jogo. Quem não aguenta para antes da primeira hora terminar — é o que mostram as resenhas mais curtas do outro lado, quase todas cravadas na largada. Gravity Circuit não pede paciência ilimitada, pede uma paciência específica: com uma corda que erra a mira e faz o jogador pagar por isso. Quem já teve essa paciência com outro jogo de plataforma reconhece o pacto; quem nunca teve, vai sentir o mesmo tropeço logo na primeira fase.