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Fistful of Frags: o mod do Velho Oeste que os próprios jogadores trouxeram de volta

STEAM
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Desde 2016 as resenhas enterram o jogo, e o estúdio segue respondendo com mapa novo, ajuste de perícia e o resgate da própria versão anterior à Steam.

Pólvora lenta, ação sem pausa: o duelo que define o jogo

Em maio de 2026, o time por trás de Fistful of Frags fez uma coisa que poucos estúdios fariam: ressuscitou a versão anterior à chegada do jogo à Steam, aquela que circulava como modificação solta desde 2007, só para ver se ainda rodava — e rodou, inclusive em Linux, graças à camada de compatibilidade Proton. É esse tipo de teimosia que sustenta um atirador multijogador ambientado no Velho Oeste, nascido como modificação para o motor Source e que nunca deixou de ser, no fundo, projeto de quem gosta de duelo com revólver: instala sem cadastro, sem comprar vantagem dentro da partida, e já está na cidade.

O combate é o que separa o jogo de um atirador genérico. Dá para empunhar uma arma em cada mão, com mira dupla independente, trocar a arma de lado no meio do tiroteio para ganhar precisão e sacar o revólver da própria mão para arremessá-lo como projétil contra quem está na frente. O arsenal histórico de pólvora negra — Colt Peacemaker, Schofield, carabina Smith, rifle Henry — pesa na hora de recarregar, e essa lentidão deliberada é o contraponto à ação sem pausa dos modos multijogador. Você percebe isso já no primeiro duelo: puxa o gatilho achando que ganhou e descobre, um instante depois, que ainda está girando o tambor.

Contas novas da Steam começam travadas: certas armas e perícias só liberam depois que o jogador sobe de nível dentro do próprio jogo, o que empurra quem chega para os desafios solo e para os robôs de treino, longe de um servidor cheio de gente. Dali para frente a escolha é grande — duelo direto no modo Versus, assalto a banco cooperativo reunindo 6 jogadores, um modo mais rápido batizado de Grand Elimination em que só sobra um time de pé — e quase tudo isso roda em servidores dedicados administrados pela própria comunidade, com suporte a rede local e oficina própria de mapas.

Quem atualiza o jogo é a comunidade, não um cronograma

O mural do estúdio de Fistful of Frags não vive de anúncio de desconto — vive de trabalho de fã. Em julho de 2025, um jogador identificado como Layton deu ao jogo um modo inteiro de combate corpo a corpo, o Clube da Luta de Facas, testado em servidores hospedados por outro membro da comunidade. Um mapa de Halloween assinado por Domm Havai chegou em outubro, cenário de armadilhas e luz vermelha batizado fof_hammercult. Em dezembro, no mesmo mês em que o estúdio publicava seu maior ajuste de jogabilidade em muito tempo — mexendo no equilíbrio das perícias de mão e do cavalo depois de reclamações da própria comunidade sobre a perícia de disparo em leque —, saiu também um mod natalino de um jogador chamado Scootyman, que transforma todos os mapas numa versão de inverno.

É a mesma lógica por trás do resgate da versão anterior à Steam, feito em maio: ninguém aqui espera ordem de cima para continuar jogando. Se você entra num servidor num domingo qualquer, quem te recebe é a mesma gente que também escreve resenha no perfil da Steam — muitas vezes quem desenhou o próprio mapa que você acabou de jogar.

De duelo a lembrança de infância: o que prende quem fica

A resenha mais recente do lado positivo é de 19 de setembro de 2026, escrita por quem soma só duas horas de jogo. Os tutoriais bastam para aprender o básico; alguns comandos soam datados depois de 12 anos de jogo. Mas o combate compensa assim que a curva de aprendizado passa. No outro extremo, uma resenha de 15 de setembro, com 963 horas registradas, credita ao jogo boa parte das lembranças de infância de quem não tinha dinheiro para outra coisa, e descreve servidores internacionais receptivos, sem hostilidade com quem chega de fora.

O modo mais elogiado por nome é o duelo direto: uma resenha de 96 horas, de 14 de setembro, descreve o Versus como fábrica de momentos ridículos — rodada curta, arena pequena, arma quase sempre a menos óbvia possível. Você cai ali sem plano nenhum e sai rindo de ter perdido para um barril rolando morro abaixo. Já uma resenha de cinco horas, do início de setembro, elogia a possibilidade de sair matando como pistoleiro e garante que o jogo roda liso mesmo em computador fraco.

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Declarado morto desde 2016, o jogo segue recebendo resenha nova

A queixa mais repetida nas resenhas negativas nem é sobre o que o jogo faz — é sobre ele estar morto. Uma resenha de julho de 2016 foi reescrita pelo próprio autor para avisar que os servidores esvaziaram e o ping disparou. Outra, de setembro de 2020, lembra os tempos cheios de outros anos e desiste porque não sobrou gente para jogar com ela. A mesma sentença de morte reaparece em setembro de 2026 — e, mesmo assim, é para esse jogo que uma resenha nova acabou de ser escrita.

Você mira certo, vê o inimigo debaixo da mira, aperta o gatilho — e nada acontece: é a queixa técnica mais forte das resenhas recentes, registrada numa resenha de 3 de setembro de 2026, que também reclama de aparecer nas costas do adversário sem aviso, ou o contrário. Uma resenha de 2022 é a mais raivosa de todas: acusa o estúdio de ceder à pressão de quem reclamava de uma arma forte demais e apagar, com um corte de poder atrás do outro ao longo dos anos, a curva que a autora tinha decorado. E quem carrega o maior tempo de jogo nesse grupo de queixas não briga por bug nenhum: briga porque foi banido, acusado de trapaça que jura nunca ter cometido — e mesmo escrevendo isso, ainda chama o jogo de algo que ama.

Paciência primeiro, precisão depois: para quem este duelo é

Fistful of Frags pede paciência: a precisão vem depois. A entrada é de verdade: comandos que soam estranhos para quem só joga atirador recente, e uma queixa técnica que aparece de novo nas resenhas mais detalhadas — o tiro que deveria acertar e não acerta. Você sente isso já na primeira sessão: ou o duelo lento vira gosto adquirido, ou o primeiro tiro perdido por um registro de acerto capenga já é motivo bom o bastante para desinstalar.

Quem não tem essa paciência, ou quem joga sozinho esperando sala cheia toda vez que abrir o jogo, esbarra no outro lado da mesma história: servidor vazio de vez em quando, ping alto quando calha, a sensação de visitar um bairro que já teve dias mais movimentados. Não é o jogo que mudou de mão — é o público que encolhe e volta em ondas, resenha atrás de resenha, desde que alguém começou a escrever que ele tinha morrido. Para quem topa esse ritmo, o jogo segue de pé; para quem não topa, o primeiro tiro perdido já resolve a questão.