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Esconde-esconde com legumes, mas o aviso na ficha fala de convulsão

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O enredo promete suspense folclórico; quem jogou reclama do mesmo final torto e de conquistas que não liberam há anos.

Vegetais fofos, aviso que não é fofo

Cabbage convida as Chompettes para brincar de esconde-esconde, e você lê essa sinopse já com a guarda baixa. Duas linhas depois, a mesma ficha avisa que a luz da tela pode provocar convulsão em quem tem epilepsia fotossensível, e que a história não é indicada para crianças nem para quem se perturba fácil. É esse contraste que sustenta o jogo inteiro: nenhum sangue, nenhuma cena de sexo, nenhum palavrão — e, mesmo assim, um aviso do tipo que costuma acompanhar jogo de terror pesado.

O enredo embute o folclore do leste europeu numa embalagem que não avisa onde vai dar. Encontrar as cinco Chompettes conduz a um de seis finais possíveis, e a conversa muda a cada rodada, então repetir o esconde-esconde não é repetir a cena. A travessia cabe em quarenta minutos — mais, se a ideia for desenredar o mistério por completo — e deixa de lambuja uma receita de cozinha real, creditada a Natasha's Kitchen, para fazer depois de desligar o jogo. Há segredos espalhados pelo cenário, e a própria ficha avisa: tome cuidado com eles.

O mural que quase só fala de desconto

Esta amostra chegou em 6 de outubro de 2020. O mural do estúdio quase sempre fala de promoção — menos numa publicação que marca cinco anos do lançamento completo de Cooking Companions, o jogo que ela viria a anteceder. Ali a Deer Dream Studios larga o tom de vendedor: foi o primeiro jogo da equipe, e ninguém esperava a quantidade de teorias, desenhos de fã, gente se vestindo de personagem e transmissões que o público produziu em torno dele. O post credita aos jogadores terem aprendido, pelo caminho, um pedaço de história ucraniana, e nomeia a figura que a trama usa: Baba Yaga, personagem do folclore que a equipe diz ter trazido de volta.

A franquia cresceu depois dessa amostra. O jogo completo se ambienta nas montanhas dos Tatras e ganhou sequência, chamada Dread Weight. Mais tarde chegaram versões para Switch, PlayStation e Xbox com ajuda da Serenity Forge, e a tradução para espanhol, chinês em duas variantes, japonês, coreano e português do Brasil. Se você seguiu o jogo desde o lançamento, sabe que esse tipo de relato é raro no mural: o resto das publicações do estúdio fala de desconto, não de bastidor.

Sessões de 5 a 10 minutos, e um gato pedindo carinho

Quem elogia fala pouco e mostra mais. Uma avaliação de maio de 2026 resume a receita da sessão curta: cortar, cozinhar e decorar pratos em minijogos simples, fáceis de pegar o jeito. São sessões de 5 a 10 minutos — o tipo de pausa que você rouba sem culpa de voltar depois. Quem escreveu isso já tinha 4 horas de jogo acumuladas, e credita à arte dos vegetais antropomorfos — companheiros de cozinha coloridos e simpáticos — o clima leve que sustenta tudo.

Quem chegou a 9 horas, em junho de 2026, resumiu o elogio ao que achou mais digno de nota: um gato que aparece na tela e dá para fazer carinho nele. É um elogio pequeno, mas revela o tom — ninguém, entre quem recomenda, menciona o mistério ou o folclore; o que fica é o conforto do dia a dia, não o enredo. E é a resenha mais detalhada, a mesma que elogiou os minijogos, quem avisa onde o conforto acaba: o catálogo de receitas é curto, a evolução do restaurante é lenta, e jogar com mais alguém não é opção.

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Um susto fora do tom, uma conquista que não libera

A queixa mais repetida não é sobre dificuldade: é sobre promessa quebrada duas vezes, e a primeira quebra é de tom. Você entra atrás de um mistério de montanha e sai com a sensação de ter visto o trailer de um jogo diferente. Uma resenha de outubro de 2020 achou os sobressaltos previsíveis e fora do lugar — mais confusos que assustadores, com o mesmo som de susto reaproveitado cena após cena. Quem jogou em março de 2021 chamou o resultado de meio a meio: o jogo quis ser fofo, engraçado e aterrorizante ao mesmo tempo, e não fechou nenhuma das três contas. Em janeiro de 2021, a sensação registrada foi de brincadeira de assustar amigo — um clima caseiro que vira horror sem explicação. E uma resenha brasileira, de maio de 2024, resume o efeito colateral: bem na hora em que o mistério parece prestes a aparecer, o cenário troca de assunto, o final chega de um jeito estranho, e a vontade de ver os outros cinco finais não resiste.

A segunda quebra é técnica, e essa persiste à parte de qualquer escolha de tom. Um relato de maio de 2023 diz que nenhuma conquista libera; outro, de agosto do mesmo ano, confirma a mesma falha sem solução anunciada pelo estúdio. Quem voltou bem mais tarde, em dezembro de 2025, continuava com a lista travada — uma das conquistas, jogar a amostra 5 vezes, exige uma combinação tão específica de escolhas que quase não parece a conquista que o nome promete. Quem critica, critica o enredo e a lista de conquistas: ninguém, nem o mais irritado, reclama da cozinha.

Quem fecha o jogo satisfeito, e quem sai de mãos vazias

Instale se a ideia é uma pausa de cozinha com vegetais simpáticos, sem se incomodar que o terror prometido não assuste de verdade: na Steam, onde o jogo também recebe avaliação, esse público aparece, no conjunto, satisfeito, mesmo falando pouco sobre o enredo. Não instale se você busca resolver um enigma e fechar um capítulo — quem persegue isso sai puxando os mesmos fios soltos de quem jogou em 2020 e de quem jogou em 2024. E não é jogo para abrir na frente de quem tem epilepsia fotossensível, nem para deixar sozinho com crianças: a própria ficha avisa isso já na tela de abertura, e não é um aviso decorativo. Quem persegue conquista também sai de mãos vazias — a mesma trava aparece em relatos separados por anos, sem conserto anunciado pelo estúdio.