Me avisem

Battalion: Legacy e o servidor que nunca chegou à América do Sul

STEAM
SEMPRE GRÁTIS NA STEAM

Sem prazo: fica no catálogo até a loja tirar.

Resgatar na Steam ↗

O resgate é na sua conta da loja; o Clairo não resgata por você.

A disponibilidade pode variar conforme a região.

Comprado em parte pela Square Enix e devolvido ao próprio estúdio sete anos depois, este atirador de trincheira encerrou o capítulo devolvendo dinheiro a apoiadores que nunca chegaram a jogar a versão que financiaram.

Sete anos depois do estouro, o estúdio devolveu o dinheiro de quem nunca jogou

Sete anos depois de estourar no Kickstarter, o estúdio por trás de Battalion: Legacy voltou a público — não para anunciar novidade, mas para devolver dinheiro a gente que nunca chegou a jogar a versão que financiou. A oferta de reembolso completo valia para todo apoiador, não importa a plataforma escolhida ou quanto cada um tinha contribuído na época.

O caminho que levou a esse fechamento passou por um sócio grande: em novembro de 2018, a Square Enix comprou vinte por cento da BULKHEAD, o estúdio do jogo, e passou a publicá-lo pelo selo voltado a produções independentes. Em agosto de 2022 esse acordo terminou — o próprio estúdio anunciou, em nome próprio, ter encerrado formalmente a relação com a Square Enix, dizendo querer voltar o foco para quem joga. A resposta foi deixar de vender o jogo: ele passou a se chamar BATTALION: Legacy e saiu como atualização final, sem data marcada para sair do catálogo.

Sobrou uma dívida com um grupo específico: quem apoiou a campanha original esperando uma versão para console que nunca chegou a existir. O próprio estúdio reconheceu o incômodo ao anunciar a mudança de 2022, e foi esse mesmo grupo que recebeu, em 2023, a notícia do reembolso completo. É um fechamento raro — um estúdio que devolve dinheiro a gente que talvez já tivesse esquecido que doou.

Cinco contra cinco, bala por bala, sem poder especial

Battalion: Legacy aposta tudo na precisão: cinco contra cinco, infantaria pura, sem poder especial e sem habilidade mágica — só um fuzil Kar98 de ferrolho, uma submetralhadora Thompson para cobrir o avanço do companheiro e a movimentação de quem sabe quando parar de correr. No modo Wartide, uma equipe ataca e a outra defende, e a primeira a fechar dezesseis rodadas leva a vitória; no Showdown, é um fuzil, um alvo e a pergunta de quem acerta primeiro. Para quem quer menos regra e mais bagunça, o modo Arcade solta bandeira para capturar, território para tomar e conta à parte quantos tiros na cabeça cada um consegue.

A ambientação é a Segunda Guerra, e o jogo não fica só nos Estados Unidos contra a Alemanha: a União Soviética entra pelo Fronte Oriental, com o arsenal de época que isso implica, do fuzil de precisão de ferrolho à submetralhadora de disparo rápido. Por cima da partida em si, há um sistema de temporadas — desafios, medalhas, subida de classificação e pinturas de guerra para as armas, liberadas de graça a cada temporada — e uma ferramenta de repetição de partida, com câmera livre e visão em primeira e terceira pessoa. Quem quer hospedar o próprio ambiente baixa os arquivos de servidor dedicado e de modificação, sem custo, e toca o jogo como quiser.

É um conjunto de ferramenta e modo pensado para competição séria, com integração direta da FACEIT e suas partidas, torneios e classificação por habilidade. Falta saber, adiante, se existe gente o bastante para preencher essa arena.

Entrar aqui para decidir se confia no próximo lançamento da casa

Quem recomenda o jogo quase nunca fala dele isolado — fala dele como teste. Um jogador que chegou em 12 de setembro de 2026 e passou duas horas em partidas com no máximo dois outros jogadores descreve a sensação: uma versão simplificada de um Call of Duty de Segunda Guerra, tiro que acerta bem, passo lento que facilita a mira, arma variada sem personalização — e isso não fez falta. Esse mesmo jogador conta ter entrado ali para decidir se confia na Wardogs, o próximo projeto do estúdio, e saiu sem muita fé de que o lançamento futuro traria gente de volta para aquela sala praticamente vazia.

Essa desconfiança amadurece em quem ficou mais tempo. Um jogador que soma dezessete horas resume a relação com a casa numa frase amarga sobre ser enganado duas vezes — uma por este jogo, outra por confiar de novo na Wardogs. Outro, sem hora registrada, em 28 de agosto de 2026, diz a mesma coisa de outro jeito: o jogo é bom, só não tem público, e ele está ali apenas por causa da Wardogs. Gostar deste jogo, neste grupo, significa usá-lo de amostra do estúdio para decidir se vale confiar o próximo pedaço de tempo livre a ele outra vez.

9.735 gostaramMixed6.564 não

O mesmo servidor que faltava em 2018 ainda falta

A crítica mais dura não fala de bug nem de equilíbrio — fala de geografia. Em abril de 2018, com quarenta e duas horas já jogadas, um jogador escreveu que queria mesmo recomendar: achava a tacada parecida com os clássicos de Segunda Guerra, mecânica simples, fácil de pegar vindo de outro atirador, visual propositalmente antiquado em vez de realista. Esperou para ver se o problema central seria resolvido. Não foi: sem servidor sul-americano, a latência tornava a partida impossível, e foi isso, só isso, que decidiu a resenha contra.

A mesma reclamação atravessa os anos sem mudar uma vírgula. Em julho de 2018, outro jogador, com quatro horas, já descrevia o jogo como abandonado e sem gente. Em outubro de 2019, um terceiro, com três horas, somava à lista o equilíbrio torto entre os lados — arma alemã fraca, fora o fuzil de precisão que mata qualquer um; arma americana favorecida; e nos dois times, robôs que erram tudo de um lado e nunca erram do outro — e fechava recomendando testar de graça, nunca gastar dinheiro nisso. Em setembro de 2026, numa resenha em espanhol, a memória vira elogio amargo: parece um Call of Duty da época, do tipo em que valeria a pena passar muitas horas sem pensar duas vezes, se o jogo não estivesse morto.

O dia em que BATTALION: Legacy virou gratuito para sempre devia ter sido a virada. Não foi: nesse mesmo 17 de agosto de 2022, mais de um jogador escreveu, cada um por conta própria, sobre o mesmo detalhe — nenhum servidor abaixo de cento e cinquenta de latência. Um deles, com seis horas, descreveu o problema mais estranho do lote: mate alguém, vire de costas, e ele reaparece ali mesmo, cinco segundos depois, às suas costas; encoste em um aliado durante a partida e os dois travam no lugar. Outro, de uma hora, resumiu o menu como coisa de versão inacabada e o conteúdo como curto — só dois modos — mesmo com a barreira de entrada removida. Tornar o jogo permanente não resolveu o que vinha quebrando a experiência desde muito antes: trouxe gente nova para tropeçar no mesmo buraco.

Quem ganha a partida, e quem só encontra fila vazia

Para quem tem um ou dois amigos dispostos a entrar junto e mora perto de um servidor que funcione, Battalion: Legacy ainda entrega o que promete: fuzil que acerta, time que precisa de tática, nenhuma loja de personalização para distrair a pontaria. Para quem joga sozinho da América do Sul esperando encontrar gente para completar a partida, a resposta já está escrita, resenha após resenha, de 2018 a 2026, sempre no mesmo ponto: o servidor mais próximo continua sendo o dos outros.

Resta quem só quer medir a BULKHEAD para decidir se confia o tempo livre na Wardogs. Para esse leitor, entrar aqui custa só espaço em disco — mas o que vai encontrar não é um veredito sobre o próximo jogo: é a sala vazia que o estúdio deixou para trás ao seguir para o próximo projeto. De graça fica só a entrada; o servidor perto de casa, esse continua sendo dos outros.